domingo, 23 de março de 2014

Personal | Sou da aldeia!


Não é difícil de perceber que sou da aldeia, que vivo na aldeia e que tenho muito orgulho nisso, embora adore a cidade e tudo o que ela consegue conter.
As minhas raízes vou sempre honrar. Onde nasci e cresci. Tenho comigo valores fundamentais, experiências que provavelmente nenhuma da moçarada mais novita vai ter. Mesmo aquela que vive na aldeia!

Não querendo de todo ferir suscetibilidades com aqueles que cresceram na cidade. Apenas percebi ao longo destes anos, em convívio com os que cresceram no meio urbano, que realmente havia diferenças entre mim e eles.
Eu brinquei na rua. Só levava comigo a velha máxima de "não fales com estranhos nem aceites nada de estranhos". Pedalei por toda a aldeia com a minha bicicleta dos pokémon. Eu e os meus primos. Quando a sede apertava lá íamos ás fontes de água pura mais próximas. E quando a fome se fazia sentir é certo que íamos passar na casa da avó só para lhe pedir as melhores laranjas do mundo.

 Nunca tive medo de andar sozinha na rua. Ia ao pão quando a minha mãe me pedia. Sem medos. Sabia que estava segura. Pelo caminho encontrava sempre alguém. Bom dia ou boa tarde era, e ainda é felizmente, palavras que dizia com muito agrado. Ensinaram-me a cumprimentar as pessoas por que passava na rua. Óbvio que nas cidades isso é impossível, as pessoas mal se olham nos olhos com o franzenim de vida que levam. Comecei a perceber com o tempo isso!

Quando fui estudar para a cidade vi-me deparada com outras realidades. Provavelmente, ensinei outras realidades aqueles que viam com outros olhos as pessoas das aldeias. Os mitos que existem podem realmente deitar abaixo uma pessoa só porque ela é da aldeia. Minha gente, vamos por mão na consciência! Na aldeia existem carros, há internet e as vacas e as ovelhas não andam na rua. Conseguem ter ideias mesmo erradas da aldeia e isso no início deixou-me triste. 
Hoje em dia faço questão de explicar, de dizer como as coisas são. De fazer ver que o facto de crescer na aldeia não nos faz inferiores a quem cresceu na cidade.

11 comentários:

Carolina. disse...

Eu cresci na cidade mas também brinquei na rua e também percebo tudo o que dizes portanto, tanto como dizes que não se pode generalizar sobre quem cresceu na aldeia (e que bom que é essa calma, tens o melhor de dois mundos!) também não quer dizer que toda a gente na cidade tenha crescido em casa, sem esfolar os joelhos na rua ou a desenhar o jogo da macaca na terra :)

Neuza disse...

eu tambem sou da aldeia e tenho orgulho em ser e fazia todas essas coisas que dizes ter feito (menos as cenas da avó) e tinha uma bicicleta do pokémon tambem como tu *.*

JS disse...

O problema está nalgumas pessoas da cidade que nunca foram a uma aldeia. Muitos conhecem o caminho de casa para o emprego e as filas na ponte para a praia da Caparica.
Eu nasci e vivi na província só até aos 11 anos. E nem morava numa aldeia: morava no meio de fazendas, fui criado com porcos, galinhas e coelhos, ia aos ninhos e ainda hoje, reconheço muita passarada, sei nomes de plantas e de insetos que muitos citadinos nem sabem que existem.
Vim para Lisboa com 11 anos e aprendi a viver com estes dois mundos onde há coisas que me fascinam e que odeio. Hoje vivo nos arredores, onde ainda há muito campo e os meus passeios de fim de semana, têm quase sempre uma componente campestre.
Não deprecio a cidade, como os citadinos puros depreciam a província, porque sei que ambos têm muito de bom e de mau. Na cidade ou na aldeia, só temos que saber escolher o lado certo da vida para sermos felizes. :)

Aricia disse...

Eu nasci e cresci na cidade mas, não foi por isso que não brinque na rua e fiz todas as coisas que tu fazias. A zona onde cresci também é uma zona sossegada apesar de ter havido um grande crescimento. A única coisa que eu talvez não fiz digno de aldeia mesmo foi ter campos e andar a pastar os animais e se formos a ver por aí, então eu cresci numa pequena vila porque os campos por esta zona não são muito predominantes.

Cláudia S. Reis disse...

Quem me dera ter crescido numa aldeia! Não me posso queixar porque sempre passei os fins-de-semana longe da cidade, mas ainda assim tinha crescido de maneira completamente diferente. És uma sortuda :)

Carolina disse...

Eu não troco a aldeia por nada*

Ella disse...

Os putos hj em dia nem sabem de ondem vem o leite quanto mais o que é uma vaca... ou seja se existe vacas é porque é o fim do mundo e lugar a nunca visitar.
Cresci na cidade e actualmente vivo na periferia de Lisboa e tanto tenho carros como lisboa como tenho ovelhas a pastar ao lado das vias rápidas consegue ser um mix interessante.
Tu tens todo o tipo de aldeias conheces pessoal normalissimo como tens aqueles que são totalmente bimbos que adoram mostrar que são cosmopolitas e que o tiro sai pela colatra. Oh e tenho familia do campo que vivem na cidade que são riquissimos e que andam o mais parolos possiveis, carregados de ouro até ao tutano e com carros topos de gama dourados e que cada compra que fazem adoram esfregar na cara o preço e assim... até mete medo xD
Eu acho que a culpa não é ser aldeira ou ser cidade é a propria mentalidade das pessoas... E muita gente toma a parte pelo todo

A disse...

Também cresci num local assim pequenino e além disso os meus avós vivem mesmo em aldeias, com quintais enormes cheios de ovelhas e galinhas e patos e porcos e todos esses animais. Desde pequenina que andei no meio deles, deitava-me em cima de cães enormes, ia passear nos tratores e nunca isso me fez mal algum. Tive o melhor dos dois mundos, tal como tu, porque posso viver um pouco dos dois sítios e também não trocava as minhas experiências por nada :)

Hibiscus disse...

Eu cresci na cidade e também brinquei na rua, também ia ao pão sozinha etc :) Isso das aldeias depende de aldeia para aldeia assim como de cidade para cidade. São duas realidades diferentes mas ambas muito boas a meu ver :)

Aria M. disse...

Eu cresci e vivo na aldeia, a 10 minutos de uma vila. Eu cresci a brincar na rua, com todos os animais característicos, porcos, vacas, galinhas, etc. Cresci num ambiente de ar puro e liberdade para brincar. E sabes que mais? Foi uma boa infância!

Margot disse...

vivo na cidade e brinquei imenso tempo a brincar na rua. não vivo numa aldeia, mas passo grande parte da minha vida numa aldeia. todas as férias vou para casa dos meus avós e por isso sei algumas coisinhas do que é viver na aldeia. e por isso, discordo do último parágrafo. há aldeias e aldeias. há aldeias muito evoluídas, em que, por exemplo, há metro e há outras em que não há rede de telemóvel, quanto mais internet e as ovelhas e as vacas andam na rua, sim senhora, e normalmente até têm prioridade.