Até que surgiu a oportunidade que todos vocês sabem. Hesitei, óbvio que hesitei. Até porque era no período de férias do meu pai e passar aqueles dias com ele, por entre passeios e jantares, sempre foi algo que todos cá de casa ansiávamos o ano todo. Fui, na certeza que estava a fazer a escolha certa. Orgulho-me do facto dos meus pais não terem feito qualquer pressão sobre mim e deixarem a meu cargo a opção de aceitar ou não. Ok, eram só 12 dias, mas para quem nunca trabalhou na vida acho que encara isto como se fosse um trabalho tão sério como o de um contrato de 6 meses.
Sabia que tinha responsabilidades, e falhar era algo que eu não queria. O mais difícil foi mesmo ter uma rotina, a de acordar super cedo e chegar ás 10 horas da noite e já estar a morrer de sono. Algo completamente impensável para mim, pois estava habituada a deitar-me tarde e acordar tarde. A questão horária foi relativamente mais difícil de gerir porque deixei de dar atenção aqueles que estavam mais próximos de mim.
Incrível! Eu trabalhei 12 dias e via-me deparada com uma vida que para mim é tão "sem vida" , se é que me faço entender. Imaginem os nossos pais, que trabalham o ano todo e só têm 22 dias de férias. Verdade, quando dizem que percebemos melhor as coisas quando também passamos por elas.
Sejam sinceros, estariam hoje preparados para descartar a vida que levamos enquanto estudantes e abraçar um emprego das 8 da manhã ás 7 da tarde? A deixar de lado as tardes na esplanada e os banhos de sol? A esquecer por completo o café na esplanada nas noites quentes de verão? Estaremos nós preparados para trabalhar? A ser comandados por alguém superior hierarquicamente? A estar sob regras permanentemente, embora tenhamos uma uma compensação monetária ao final de cada mês?
Verdade seja dita, esta experiência levou-me a entrar numa retrospetiva bastante profunda daquilo que daqui a uns 2 anos vou desempenhar diariamente.

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