domingo, 9 de fevereiro de 2014

Amor | De geração em geração



Longe vai o tempo que namorar era só à janela. Atirar a pedrinha à janela já lá vai. As serenatas essas também já tiveram melhores dias e os passeios a pé pelas ruas da aldeia ficaram perdidos no tempo. A avó faz questão de dizer que no tempo dela nada disto era assim. Isto dos namoros. Da " moçarada nova " como ela nos chama. Talvez ela tenha razão. Talvez não. Penso muito em como seria antigamente. Como é que por exemplo se marcava um encontro. Afinal de contas os telemóveis ainda eram algo de desconhecido. Os imprevistos acontecessem. Como é que se avisavam uns aos outros? A minha mãe que ainda é do tempo da não existência dos aparelhinhos chamados telemóveis que hoje em dia a " moçarada" não sabe viver sem eles, diz que tudo era planeado estrategicamente. Que todos estavam lá a horas. Faz-me confusão.

Mas voltando ao amor, aquele amor de antigamente. Também a minha mãe faz-me questão de dizer " que nada de hoje em dia é como antes". Juro que não entendo o que ela quer dizer. Será que o amor mudou? Será que o amor que une duas pessoas é diferente hoje? O que distingue o antes e o agora? Não percebo. continua a fazer-me confusão.

O meu pai ainda vai subscrevendo as palavras da minha mãe. Lá vai concordando. Não sei bem se é a 100 %. Algumas expressões dele faz-me duvidar. Só diz que " hoje em dia já não se namora de dia. É só noite, é só noite." Não sei o que faz o meu pai dizer isto. Acho que multiplica por 4 cada vez que saio à noite com o Tchico só para dar mais enfâse a esta sua ideia, uma vez que não vejo como ele possa saber. Será que fez algum estudo de caso sobre isto? Esta ideia da nova geração do amor continua a fazer-me confusão.

Não me revejo nesta "moçarada" nova. Não, eu não namoro à janela. Também nunca me fizeram uma serenata. Não me atira pedrinhas para a janela mas toca-me à campainha quando quer assinalar a sua presença. Para fazer as suas incríveis e inesperadas surpresas. Os passeios da aldeia também os tivemos. Juro que sim. Até ao dia em que ele teve carta de condução. Mas foram bons momentos que ficam dos passeios na aldeia.
Óbvio que fazemos jus ao veredicto de que toda  a gente tem telemóvel. Não namoramos por telemóvel. Usamos o telemóvel para intensificar a presença de cada um no nosso dia-a-dia, por mais quilómetros que nos separe.

A geração de hoje pode ficar muito à quem da geração de antigamente no que diz respeito a muito situações, mas em relação ao amor nunca. Nunca, nunca e nunca. Jamais o amor de um casal de namorados pode se comparado pela distância de anos que o separam. O amor é único. Independentemente dos meios e das formas que se usaram para viver um amor. Prevalecem as emoções, as vivências!

Por mais que a avó diga que não, eu sei que eu vivo um amor. O amor de ontem, de hoje e de amanhã. Um amor incrivelmente inderrotável e perfeitamente generoso. Um amor desta geração. Um amor que conhece um bocadinho daquilo que era o antes. O suficiente para perceber que embora os anos passe não é isso que muda o amor.

11 comentários:

Daniela Castro disse...

Concordo contigo, por incrível que pareça a minha avó acredita muito no meu relacionamento :)
E não é daqueles relacionamentos actuais nem de outrora...
Já recebi várias serenatas, já enviei e recebi cartas de amor...
Essas coisinhas fofinhas de antes, porém sou como tu, adoro "teclar" e sem duvida faz a diferença no relacionamento, por mais longe que estejamos, parece que estamos perto (não é a mesma coisa, eu sei, mas atenua as saudades da distância)
Gostei muito do teu texto *-*

Dalma Pereira disse...

Falaste tudo!

Aria M. disse...

Gostei :)

Pedro Sampaio disse...

Falas-te daquilo que eu por vezes penso e fico na dúvida também :)
Comecei a seguir-te*

Blackbird disse...

O amor não mudou, a forma como se expressa talvez. Agora há muita mais liberdade, isso até é bom. No entanto o sentimento continua a ser o mesmo :)

A disse...

Lembro-me de falar com um senhor já de idade avançada, de ele me ver com o telemóvel e dizer mais ou menos aquilo que os teus familiares te dizem. "Agora é tudo por telemóveis, eles já não levam as moças ao baile e as encostam ao peito". E é verdade, já não se faz isso. E por um lado tenho pena, porque gostava de ter vivido momentos desses. No entanto, como disseste e bem, o amor não muda e acredito que nós, a nossa geração, consegue criar novos momentos mágicos à sua maneira :)

Marisa Costa disse...

Gostei :D

Martinha Gonçalves disse...

Adorei! Das melhores publicações que já fizeste no teu blog <3

JS disse...

Concordo contigo. O amor, quando é amor, é igual em todas as épocas. Os costumes é que vão mudando e talvez hoje mudem mais depressa, mas onde é que estaria a humanidade sem mudança? Vivíamos na idade da pedra e nem vidro havia para mandar pedras. eheheh
O problema maior é que as pessoas com a idade, ficam paradas no tempo. Têm dificuldade em lidar com as mudanças, não entendem as novas tecnologias e criam grandes confusões naquelas cabeças.
Espero nunca chegar a esse ponto de achar que este já não é o meu mundo, ou a minha época. Por vezes é difícil acompanhar, até porque começamos a pensar que já não vale a pena, que não adianta continuar a acompanhar a evolução, se a morte está cada dia mais próxima. Mas no dia em que isso me acontecer, espero que me dê um ataque cardíaco fulminante.

Agora uma quadra do tempo da tua avó:

Não me atires com pedrinhas,
Que estou a lavar a loiça.
Atira-me com beijinhos,
Pra que a minha mãe não oiça. xD

Anna disse...

gostei!

Hibiscus disse...

Eu não acho que o amor tenha mudado, eu acho que as pessoas é que já não escondem tanto as coisas, vive-se de maneira diferente.Por exemplo antigamente o casamento era para sempre mas isso não significava que não houvessem traições, por exemplo. Hoje em dia a diferença é que se alguém descobre uma traição em vez de perdoar e fazer que não foi nada separam-se. Hoje em dia tolera-se menos algumas coisas (e acho bem) mas acho que o amor é o mesmo. Mas isto sou apenas eu a dizer :b